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A sobrecarga emocional das mulheres e o mito da autossuficiência: aprendendo com bell hooks sobre o poder da vulnerabilidade

Vivemos em uma sociedade que ainda exige que as mulheres sejam tudo, o tempo todo. Cuidadoras incansáveis, profissionais eficientes, parceiras compreensivas, mães perfeitas, filhas presentes, ativistas conscientes. Essa multiplicidade de papéis vem acompanhada de uma expectativa silenciosa, porém esmagadora: a de que devemos dar conta de tudo sozinhas.

Esse é o mito da autossuficiência. Uma narrativa perigosa que nos ensina, desde cedo, que pedir ajuda é fraqueza, que demonstrar cansaço é sinal de incompetência e que ser vulnerável nos torna indignas de amor e respeito. Muitas de nós fomos educadas a acreditar que o amor verdadeiro virá apenas quando estivermos “prontas”, “curadas”, “fortes o suficiente”. Mas o que acontece enquanto isso? A sobrecarga emocional se acumula, silenciosa, até que explode em forma de exaustão, ansiedade, adoecimento.

bell hooks, em sua profunda obra sobre o amor, especialmente no livro Tudo Sobre o Amor, nos lembra que o amor genuíno exige vulnerabilidade. Para ela, amar é um ato de coragem, porque implica reconhecer que precisamos do outro — e que o outro também precisa de nós. Ao contrário do que nos foi ensinado, a força não está em aguentar tudo calada, mas em se permitir sentir, se permitir cair, chorar, ser cuidada.

Ao desmistificar o amor romântico e nos convidar a pensar o amor como uma prática ética e política, bell hooks afirma que amar é também construir espaços de cuidado, afeto e honestidade radical. E isso começa em nós mesmas. Amar a si é reconhecer os próprios limites e entender que não há vergonha em dizer: “Eu não estou bem”, “Eu preciso de colo”, “Eu não dou conta sozinha”.

A prática do amor começa na escuta e no acolhimento das nossas dores, na recusa do silêncio imposto pelo medo de sermos vistas como “fracas”. Ao sermos vulneráveis, criamos pontes. Ao abandonarmos o mito da autossuficiência, abrimos espaço para relações mais verdadeiras, mais humanas.

Que possamos, inspiradas por bell hooks, cultivar o amor como resistência — começando pelo amor a nós mesmas, na nossa inteireza, inclusive quando estamos despedaçadas. Porque ser forte não é nunca cair. Ser forte é saber que podemos nos levantar, com a ajuda de outras, e que merecemos ser cuidadas com o mesmo amor que oferecemos ao mundo.

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