Em uma sociedade marcada pela produtividade incessante, muitas vezes nos tornamos nossos próprios algozes. A autocobrança, inicialmente uma ferramenta de crescimento, pode rapidamente se transformar em um fardo silencioso que carrega o peso das expectativas externas e internas.
Somos ensinadas, desde cedo, a buscar excelência em tudo: nos estudos, no trabalho, nas relações, na forma como existimos no mundo. Para nós, mulheres negras, quilombolas, essa cobrança é ainda mais intensa — pois há uma luta constante para provar valor em espaços que muitas vezes nos negam reconhecimento. A nossa história é atravessada por conquistas, mas também por batalhas invisíveis.
Celebrar nossas vitórias deveria ser tão natural quanto respirar, mas, frequentemente, nos exigimos mais, como se nunca fosse suficiente. Cada degrau conquistado é acompanhado da dúvida: “será que poderia ter feito melhor?” ou “será que mereço estar aqui?”. Essa voz crítica interna, se não for acolhida e ressignificada, nos impede de honrar a nossa trajetória.

Por isso, é fundamental olhar para nós mesmas com gentileza e respeito. Reconhecer que o caminho é feito de pequenos passos, de tentativas e, acima de tudo, de coragem. Validar nossas emoções, entender nossos limites e, principalmente, celebrar cada conquista — por menor que pareça — é um ato de resistência e de amor próprio.
A auto-cobrança não precisa ser inimiga: quando alinhada com o cuidado e a consciência da nossa história, ela se transforma em combustível, e não em algema.
Que possamos, todos os dias, nos lembrar que somos feitas de força, mas também de ternura. E que nossa existência, por si só, já é um feito revolucionário.





