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Amor como Ato de Coragem

Muitas de nós, mulheres negras, aprendemos cedo que sentir era perigoso. Que expressar dor era fraqueza. Que chorar era sinal de derrota. Crescemos cercadas pela urgência da sobrevivência, onde o amor era, muitas vezes, visto como um luxo — um privilégio para os outros, não para nós.

Mas a verdade é que o amor é necessidade. É alimento. É força.

O silêncio sobre as dores afetivas que carregamos tem raízes profundas: fomos ensinadas a esconder o que sentimos, a guardar no peito aquilo que não cabia nas exigências do mundo. Como amar livremente, se historicamente fomos feridas exatamente nesse lugar de sensibilidade? Como oferecer cuidado, se muitas vezes não aprendemos a recebê-lo?

Bell hooks nos convida a quebrar esse ciclo. Ela nos lembra que amar é um ato político e espiritual. É resistência. E que esse amor começa dentro, quando nos olhamos com verdade, sem máscaras nem culpas. Quando reconhecemos nossas necessidades emocionais como legítimas — e não como fraquezas a serem superadas.

Precisamos nos libertar da ideia de que sermos fortes significa suportar tudo caladas. A verdadeira força está em abrir espaço para o afeto, em pedir ajuda quando necessário, em acreditar que merecemos relações que nos façam florescer.

Amar é construir futuros. Amar é reverter a lógica da dor herdada. Amar é recomeçar. E para nós, mulheres negras, o amor também é cura.

 

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