Ser chamada de “mulher forte” é, muitas vezes, um elogio. Mas para nós, mulheres negras, essa expressão carrega um peso que vai além do reconhecimento. É um lugar que nos foi imposto, sustentado pelo racismo e pelo machismo, que nos empurra para a resistência constante, mesmo quando tudo em nós grita por cuidado.
A armadilha do elogio
O estereótipo da mulher negra forte e guerreira é, na verdade, uma armadilha. Ele disfarça o abandono, a falta de escuta e a sobrecarga. Esperam que estejamos sempre prontas, sempre firmes, sempre sorrindo apesar da dor. Mas quem escuta o cansaço? Quem cuida de quem cuida?
O corpo que sustenta o mundo

Em contextos familiares, profissionais e comunitários, somos frequentemente vistas como pilar. O corpo da mulher negra carrega histórias, ausências, lutas e memórias de resistências. Mas também carrega tensões, ansiedade, exaustão e o silenciamento das próprias dores.
Entre a resistência e o cuidado
Resistir não pode ser sinônimo de se anular. Precisamos falar sobre vulnerabilidade, descanso, choro, pedir ajuda. Precisamos criar espaços onde seja possível ser humana, ser escutada, ser cuidada. Na minha prática clínica, vejo o quanto permitir-se sentir é também um ato de coragem.
Cuidar de si não é fraqueza
Buscar terapia, dizer não, impor limites, dormir mais cedo, desligar o celular, pedir colo… Tudo isso é resistência. Cuidar da própria saúde mental é um modo de afirmar que nossas vidas importam e que não fomos feitas para carregar o mundo nas costas.
Conclusão
Ser forte não deve significar viver em constante sofrimento. Que possamos construir novas formas de existência, onde o afeto, o cuidado e a escuta também tenham lugar. Onde ser frágil é humano e ser humana é direito.





